B – OPINIÕES SOBRE O XVI ENCONTRO ANUAL EM MARIANA – 2007

ENCONTRO FRATERNO EM MARIANA

Luiz Gonzaga Pessoa

Em março do corrente ano, recebi, com surpresa, telefonema do Helvécio Trindade, desafiando-me para uma partida de ping-pong. Na carona do desafio, convidou-me para participar do Encontro Anual dos Aexanos, em Mariana. Tal convite já me fora feito, em anos anteriores, pelo Amilar. Entretanto, por motivos profissionais, nunca pude participar. Desta vez, tive o privilégio de estar presente, o que muito me alegrou, pois deixei Mariana, berço de meus estudos secundários, em 1961, retornei como turista, com minha família, em 1980, e agora, em 2007, participei da confraternização com meus antigos ex-colegas, porém, sempre amigos.
Foi um encontro maravilhoso… Nostálgico ao reviver locais outrora freqüentados! Humano ao abraçar ex-colegas, companheiros de alegria e tristeza vividas juntos! Esportivo ao caminhar do Seminário Maior ao Menor, da Catedral da Sé ao Seminário Maior e deste às pousadas marianenses, onde nos hospedamos, ocasião em que relembramos as nossas peladas, eternizadas nas fotos exibidas no Memorial Físico! Religioso ao assistir à Missa Solene, celebrada por Dom Geraldo Lyrio e cantada pelo coro formado por ex-colegas que, brilhantemente, entoaram o “Kyrie Eleison”! Intelectual ao ouvir expressões latinas, tão distantes dos dias hodiernos, mas tão presentes naquela época! Tristonho ao relembrar a ausência daqueles colegas queridos que já se foram, como João Paulo, Xerezinho e Porfírio entre outros!
Alegrou-me a presença de todos, especialmente dos meus colegas de turma, como José Amilar, o craque da bola; José Newton, o melhor da sala ao lado de Márcio Baeta; Silvério Bragança, o da botica farta; e Hélio Petrus, o do acordeão e da poesia de Guerra Junqueiro.
Emocionei-me com abraços afetuosos de Paulo Roberto, nosso pontual sineiro sempre acompanhado de seu peculiar relógio; de José Geraldo, meu marcador ferrenho nas partidas de futebol no campo grande e no campo do Guarani; de Burgarelli e Idalino, poetas “ex tunc” e “ex nunc”; de Reinaldo e Dadinho, nossos músicos; de Roque Camelo, nosso cerimoniário ao lado de Jairo Braga, que nos ensinaram a rezar as jaculatórias; de Helinton, meu contumaz desafiante de ping-pong; de Odilon, companheiro de dupla dos times organizados pelo Salgado, para disputar torneios; de Helvécio, ator infanto-juvenil de nossas peças em nosso teatro, reinaugurado com cortina vermelha pelo Padre Nelson, no antigo dormitório; de Anselmo, cuja presença capixaba me fez lembrar de Leandro, nosso ícone estudantil, pois só tirava nota dez, nas leituras de notas mensais feitas pelo Padre Ézio.
Nosso encontro foi uma fotografia viva daquele tempo… Pessoalmente, revivi momentos e ex-colegas distanciados, pela fatalidade da vida, há 50 anos. São cinco décadas que não apagaram o sorriso, o trejeito e a lembrança daqueles com os quais convivi de forma fraterna e amiga. Durante seis anos, de 1956 a 1961, conheci indivíduos que se foram transformando em pessoas na medida em que se aprofundava nosso relacionamento. “O indivíduo se isola, cerca-se de tabus, preconceitos e códigos morais que não são informados pelo amor… A pessoa, ao contrário, é comunicação, vida interior, liberdade e engajamento…”

Orgulho-me de ter encontrado nesses seis anos muitas pessoas, troféu maior que premiou minha vida futura. A solidariedade foi nossa maior companheira…

Em nosso encontro, aberto religiosamente pelo Padre Lauro Versiani, fomos premiados com uma exímia aula sobre o barroco, proferida brilhantemente pelo Dr. Ângelo Oswaldo; vivenciamos o dia-a-dia de um militar, em sua luta diária por uma sociedade mais justa, relatado com precisão pelo ex-colega Luiz Flaviano; ouvimos extasiados o grupo vocal das meninas do Carona Brasil, capitaneado pela Rosana, esposa de Helvécio, cujas vozes nos fizeram lembrar do nosso corinho sob a regência de meu primo Padre Pessoa. Com modesta participação, tive a honra de declamar alguns poemas luso-brasileiros, relembrando o nosso grêmio lítero-musical, orquestrado, à época, sob a batuta de Padre Álvaro, responsável pela nossa cultura poético-literária. Alegrou-me muito o lembrete, que me foi feito pelo Olavo Camelo, de um recurso utilizado por mim, nas declamações, chamado “enjembement”, cujo significado aprendi nos idos marianenses.
A Banda de Mariana nos presenteou em diversas ocasiões, alçando-nos ao tempo da “furiosa”. Emocionante foi a presença do Geraldo Jésus com seu bombardino. A inauguração do Memorial Físico me deixou feliz ao saber que receberia o nome de Padre Nelson Simões Quinteiro, meu grande professor de latim, a cuja “manga” eu pertencia. Das refeições, o jantar de gala, sábado à noite, foi o mais alegre e festivo.
Ponto auge do nosso encontro foi, sem sombra de dúvida, a presença de todos os ex-colegas que, sozinhos ou acompanhados, abrilhantaram o XVI Encontro Anual da AEXAM, em Mariana, com a sua participação.
Nada disso, todavia, teria acontecido, sem a liderança e o empenho do nosso atual Presidente Helvécio Trindade, a quem parabenizo, em nome de todos, pela eficiência e organização.

Tudo seria perfeito se não fosse a ausência do canto da seriema…

 
AGRADECIMENTO – XVI Encontro Anual em Mariana

Sebastião Burgareli

Eu e minha esposa Ortência queremos agradecer à AEXAM, na pessoa de seu presidente e nosso amigo Helvécio Trindade, por nos proporcionar a alegria de participarmos do encontro em Mariana, nos dias 14 e 15 de julho de 2007.
Foi uma experiência ímpar e maravilhosa! Foi emocionante, para mim, rever e abraçar amigos muito queridos, que eu considerava perdidos no tempo. Desde que deixei o Seminário, em 1960, principalmente devido às circunstâncias inesperadas da minha saída, eu não tinha esperança de reviver esses momentos. Na verdade, nunca esqueci aqueles tempos… Eu conservei comigo a lembrança de cada colega, de cada professor, de cada detalhe… Mas, que podia fazer se cada um seguiu o seu caminho, e as portas que um dia me acolheram, eu julgava fechadas para mim? Só me restava a solidão da nostalgia… e uma saudade silenciosa, sufocada dentro do peito.
Mas agora, depois de tantos anos, descobri que existe a AEXAM – na verdade, foi o Helvécio quem me descobriu; que meus amigos não se perderam no tempo; que se reúnem, todos os anos, no mesmo cenário onde vivemos juntos e onde construímos nossa amizade; e, o mais gratificante, que muitos deles esperavam por mim e tentavam localizar-me. Então, descobri mais uma verdade: as lembranças mais preciosas não são as que se encontram à flor da memória, mas aquelas que estão guardadas, às vezes adormecidas no fundo do coração. Foi quase um sonho ser recebido – e hospedado – no Seminário Maior, onde eu não consegui chegar como seminarista. Ao ser reconhecido e abraçado pelos ex-colegas e sempre amigos, o coração não me cabia no peito. Eu retornei no tempo e quase me senti, de novo, um pré-adolescente. Foi particularmente emocionante voltar ao Seminário Menor, onde estudei. Rever – e sentir – aquelas dependências, aquelas paredes centenárias!… Parece que minha memória ficou gravada nelas, como elas ficaram gravadas no mais fundo dos meus sentimentos.
Os momentos de reunião também me emocionaram muito: a acolhida do nosso anfitrião Padre Lauro, citando a parábola do Filho Pródigo, transferiu para mim, naquele momento, aquela imagem do Evangelho. O Dr. Ângelo Oswaldo, um verdadeiro poço de cultura, nos encantou a todos, deixando-nos beber um pouco da sua sabedoria. Depois, uma pausa… e a seqüência da reunião. O Helvécio, com um entusiasmo contagiante, falou-nos sobre a AEXAM, seus objetivos, seu funcionamento, suas metas… O nosso colega Luiz Flaviano, com quem não tive a honra de conviver, expôs brilhantemente sua trajetória, dando-nos um exemplo de idealismo e tenacidade na busca de suas realizações nos campos profissional e social.
Um momento sublime foi a apresentação do Grupo Carona Brasil. As meninas, com suas vozes quase angelicais, nos transportaram para um mundo de sonhos, cheio de paz e encantamento; parecia um coro de rouxinóis a nos embalar a alma! Outro momento, de fortes lembranças para mim, foi ouvir o nosso colega – e meu antigo companheiro – Luiz Gonzaga, o nosso “Pessoinha”, declamar lindos poemas, de autores diversos, com o mesmo brilhantismo de sempre. Senti-me voltar no tempo e participar dos nossos saudosos Grêmios Literários – Antonino e Aloisiano. Como é bom relembrar!… Alguém já dizia: “recordar é viver”. Melhor ainda é REVIVER. Foi isso que fizemos em nosso encontro.
Eu queria falar, ainda, sobre tantas coisas: a missa na Catedral da Sé; a banda de música do nosso colega Geraldo Jésus; o maravilhoso Coro Gregoriano, formado por nossos ex-colegas; as refeições festivas; e tantas coisas mais!… Queria falar sobre os ex-colegas que não estão mais, fisicamente, conosco, pois já nos precederam no retorno à casa do Pai, especialmente os meus amigos e companheiros João Paulo Cruz e Paulo Tarcísio Mayrink. Como eu gostaria de abraçá-los novamente! Mas eles estão, todos, presentes em nossos corações.
Queremos agradecer, eu e minha esposa, a todos os participantes do encontro, e a cada um em particular, pela grande alegria que nos proporcionaram. Agradecemos, especialmente, ao Padre Lauro Versiani – nosso anfitrião – que, mais do que as portas do Seminário, abriu as portas do coração para acolher todos nós; aos patrocinadores desse evento, que não mediram esforços para a realização do nosso encontro; e ao Helvécio Trindade, com toda a sua equipe de colaboradores, sempre solícitos, prontos para servir. Fizeram-me lembrar um verso da linda canção A BARCA: “meu cansaço, que a outros descanse”. Muito obrigado. Foi tudo maravilhoso! Aguardamos, com ansiedade, o próximo encontro.

Agora posso dizer com orgulho: eu sou um AEXANO!

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